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domingo, 13 de março de 2011

O LEÃO E O MERCADO DE OPÇÕES


Via de regra, os ganhos líquidos em operações realizadas em bolsas de valores determinam o recolhimento de Imposto de Renda. É claro que não poderia ser diferente no Mercado de Opções: auferiu lucro, o Leão estará sempre, à espreita, lambendo os beiços para dar a sua inexorável "mordidinha".

Quer seja encerrando posição, quer carregando a operação até a data de vencimento, o Investidor, invariavelmente, terá a obrigação de recolher o Imposto de Renda ao obter ganho líquido. Assim, ao comprar e vender uma call, por exemplo, ou levar operação até o derradeiro momento do vencimento, com exercício ou virando pó, parte do eventual lucro obtido já terá destinação certa...
Equivocam-se os que pensam que o limite de isenção de Imposto de Renda sobre vendas mensais concedido no mercado a vista também se aplique ao mercado de opções. Quem dera: os ganhos líquidos obtidos no Mercado de Opções serão sempre tributados, independente do valor da operação.

Se por um lado, inadmite-se a isenção mensal, por outro resta garantida a compensação de perdas. Com efeito, as operações que resultem em prejuízo em um mês podem ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos no próprio mês ou em meses subseqüentes com operações no mercado de opções ou nos mercados a vista, futuros e a termo, excetuando-se o caso de perdas em operações de day-trade, que somente poderão ser compensadas com ganhos auferidos em operações da mesma espécie (day-trade).

Tal qual no Mercado a Vista, no Mercado de Opções também ocorre a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte. Aqui também há de se distinguir as operações day-trade, onde incide a alíquota de 1,00%, daquelas que tem por base o resultado, se positivo, da soma algébrica dos prêmios pagos e recebidos no mesmo dia, onde incidirá a alíquota de 0,005%.
Não se exige providência alguma do Investidor para retenção e recolhimento do Imposto Retido na Fonte, já que é de responsabilidade exclusiva da Corretora que intermediou a operação. Ressalte-se, porém, que a Corretora fica dispensada da retenção do imposto quando seu montante for inferior a R$ 1,00 (um real).

O valor do Imposto Retido na Fonte, todavia, poderá ser recuperado pelo Investidor da seguinte forma:
a) deduzido do imposto sobre ganhos líquidos apurados no mês;
b) compensado com o imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados nos meses subsequentes;

c) compensado na declaração de ajuste anual se, após a dedução de que tratam os itens a e b, houver saldo de imposto retido;
d) compensado com o imposto devido sobre o ganho de capital na alienação de ações.

Vejamos alguns exemplos para auxiliar na compreensão. Para facilitar os cálculos, serão desconsideradas as taxas e corretagens.

Exemplo1: Compra a Seco de Calls
Consideremos que um Investidor comprou 1.000 calls BVMFC12 ao preço unitário de R$ 0,10, e as vendeu, dias depois, por R$ 0,30 cada. Seu ganho líquido será:
Custo das opções = 0,10*1.000 = R$ 100,00 (I)
Valor do prêmio recebido = 0,30*1.000 = R$ 300,00 (II)
Ganho líquido = (II) - (I) = 300 - 100 = R$ 200,00
Assim, o valor do Imposto de Renda a ser recolhido será de R$ 30,00 (200*0,15).
Se o nosso Investidor tivesse comprado e vendido suas opções no mesmo dia (day-trade), o valor do imposto a ser recolhido seria de R$ 40,00 (200*0,20).

Exemplo 2: Compra de Calls, objetivando o Exercício
Nosso investidor, agora, adquire 1.000 calls BVMFC12 ao preço unitário de R$ 1,00. Na data de exercício, com as ações cotadas a R$ 13,00 cada, ele decide exercer a opção e, imediatamente, vender as ações recém adquiridas.
Custo das opções = 0,50*1.000 = R$ 500,00 (I)
Custo das ações = 12,00*1.000 = R$ 12.000,00 (II)
Custo Total da Operação = (I) + (II) = R$ 12.500,00 (III)
Receita recebida com a venda das ações = 13,00*1.000 = R$ 13.000,00 (IV)
Ganho líquido = (IV) - (III) = 13.000,00 - 12.500,00= R$ 500,00
O valor do imposto a ser recolhido será de R$ 75,00 (500*0,15).
Exemplo 3: Lançamento Coberto de Calls, sem Exercício
Imaginemos, agora, que o Investidor venda 1.000 calls BVMFC12, recebendo R$ 0,40 de prêmio unitário e que suas opções, no vencimento, tenham virado pó.
Mais uma vez, desconsiderando as taxas e corretagens, o valor do imposto a ser recolhido será:
Valor do prêmio recebido = 0,40*1.000 = R$ 400,00
Ganho líquido = valor do prêmio recebido = R$ 400,00
Assim, o valor do Imposto de Renda a ser recolhido será de R$ 60,00 (400*0,15).

Exemplo 4: Lançamento Coberto de Calls, com Exercício
Imaginemos, agora, que, na mesma situação do exemplo anterior, nosso investidor tenha adquirido as 1.000 ações BVMF3 que compõem a sua carteira pelo custo unitário de R$ 11,00, e que, ao ser exercido, tenham cotação de R$ 13,00 cada.
Admitamos, também, que tenham ocorrido outras vendas no Mercado a Vista, de forma a superar o limite de isenção de R$ 20.000,00.
Valor do prêmio recebido = 0,40*1.000 = R$ 400,00 (I)
Valor do exercício das ações recebido = 13,00*1.000 = R$ 13.000,00 (II)
Receita total recebida = (I) + (II) = 13.000 + 400 = R$ 13.400,00 (III)
Custo de aquisição das ações = 11,00*1.000 = R$ 11.000,00 (IV)
Ganho líquido = (III) - (IV) = 13.400 - 11.000 = R$ 2.400,00
Desta forma, o valor do Imposto de Renda a ser recolhido será de R$ 360,00 (2.400*0,15). Caso não houvesse outras vendas no Mercado a Vista, o valor do Imposto a ser recolhido recairia apenas sobre as opções. Assim, seria necessário recolher apenas R$ 60,00 (400*0,15) para aplacar a "fome" do Fisco.
Resta, agora, desejar a você, Guerreiro, que recolha bastante Imposto de Renda no Mercado de Opções. Afinal, se assim o for, é sinal que está tendo lucro com suas operações. Bons Trades!

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Travas


Até o presente momento, detivemo-nos apenas em operações que tratam, isoladamente, de compra ou venda de opções, ou, no caso do lançamento coberto, de venda de opções associada à compra do ativo subjacente. A partir de agora, analisaremos as travas, que consistem na montagem de operações envolvendo, simultaneamente, a compra e a venda opções. No nosso caso, nos ateremos às travas com calls, já que, dentre nós, as puts não gozam de boa liquidez.

As travas são estratégias de delimitação de risco que consistem na compra e venda de opções de strikes diferentes. Por meio delas, pode-se travar a venda em cima, embaixo, em série diferente (antes ou depois) e em um ou vários lugares. O objetivo aqui é buscar ganhar com o decurso do tempo sem que a ação ultrapasse certo limite, e com o conhecimento do ganho e prejuízo máximo no mesmo instante de sua montagem.
Abordaremos, aqui, as Travas de Alta e as Travas de Baixa:

Nas Travas de Alta, também chamadas de financiamento, compramos determinada opção e vendemos a mesma quantidade em um strike superior; já nas Travas de Baixa, também chamadas de reversão, vendemos uma opção e compramos a mesma quantidade em um strike superior.

Passemos, a seguir, a analisá-las detidamente.

Trava de Alta
Consiste na compra de calls associada à venda de calls de strike superior e de idêntica data de vencimento.

Como as calls de maior strike são mais baratas, terminamos tendo que desembolsar dinheiro para sua montagem, consistente no spread (diferença) entre o prêmio pago (maior) e o recebido (menor), que, doravante, chamaremos de prêmio líquido. Assim, é fácil verificar que a call de strike maior termina por financiar parte da compra da call de strike menor: daí a alcunha de "financiamento".

A Trava de Alta guarda certa semelhança com a compra de opções a seco: ambas possuem risco limitado ao valor investido, apostam na alta do mercado e não exigem margem, vez que, neste último aspecto, a opção de strike mais baixo serve de lastro para a de strike maior, acaso ambas sejam exercidas. A Trava de Alta, todavia, apresenta a vantagem de ter custo de montagem mais baixo para um mesmo lucro se o valor do ativo subjacente ficar entre os strikes. Acima do strike maior, a Trava de alta não possibilita lucro adicional.

Na operação, como mencionado, não há necessidade de depósito de margem, vez que a opção de strike mais baixo serve de lastro para a de strike maior, acaso ambas sejam exercidas. Seu risco máximo é limitado ao prêmio líquido desembolsado no momento da montagem da operação, ao passo que o lucro máximo circunscreve-se à diferença entre os strikes abatido do custo de montagem. A diferença entre o strike da call maior e o prêmio líquido pago é o breakeven (ponto de equilíbrio) da operação.


A aposta, como o nome diz, é que o mercado é de alta. À medida que o mercado sobe, a distância entre os prêmios aumenta, permitindo-se ganhos ao investidor. Por outro lado, ao caminhar no sentido inverso, se ambas as opções virarem pó, todo o valor investido será perdido.

Quanto mais ITM for a Trava de Alta, maior será a proteção na queda, mas, em compensação, maior será o seu custo de montagem. Montando a operação ATM ou OTM, o tempo já esta contra nós,mas o baixo custo permite corrermos maiores riscos.
Vamos a um exemplo hipotético para ficar mais claro:

Imaginemos que a PETR4 esteja cotada a R$ 26,00 em determinada data, e montamos a seguinte operação:
Compramos 1000 opções de strike 24 e vendemos idêntica quantidade de opções de strike 26, ambas com vencimento em janeiro.

Custo da operação
Compra de 1.000 PETRA24 = 1000*2,50 = R$ 2.500,00

Venda de 1.000 PETRA26 = 1000*1,00 = R$ 1.000,00
Risco máximo da operação
Compreende o valor de montagem da operação:

Retorno máximo da operação
Compreende o spread entre os strikes abatido do custo de montagem:
Se, no dia do vencimento, o spot fechar acima de R$ 26,00, a Taxa será de 33% (=500/1500), apurados durante o período de duração da operação.
Não é necessário levar a operação para o exercício, vez que é sempre possível desmontar a operação vendendo a call de strike menor e comprando a de strike maior, no nosso exemplo, vendendo a PETRA24 e comprando a PETRA26. A diferença entre o spread de montagem e de desmontagem é que determinará se a operação apresentou lucro ou prejuízo.

Com o financiamento, diminui-se o risco da operação e o custo da montagem. Em contrapartida, abre-se mão de parte do lucro, caso o mercado suba além do esperado. Com a trava montada no dinheiro, ganha-se na alta, com o mercado de lado e com moderada queda. Com as ITM, o custo de montagem reduz-se, mas, em compensação, altas mais fortes são exigidas. Já com as OTM, apesar de o custo ser mais baixo, o prêmio recebido pela venda é pouco para "auxiliar" no financiamento.


Trava de Baixa
Consiste na venda de determinada calls associada à compra de calls de strike superior, sendo, portanto, uma operação travada (coberta) em cima.

Como as calls de strike superior são mais baratas, nesta operação recebemos um prêmio líquido (diferença entre o prêmio recebido na venda e o pago na compra) para montagem. É também chamada de reversão, pois, a operação o protegerá no caso de o mercado experimentar uma reversão de tendência de baixa para alta elevando muito o preço de recompra das ações.

A operação exige depósito de margem no valor do spread entre os strikes. Seu risco máximo consiste na diferença entre os strikes abatido do prêmio líquido recebido na montagem, ao passo que o lucro máximo circunscreve-se ao prêmio líquido recebido.

O strike da call maior acrescido do prêmio líquido recebido é o breakeven da operação. Acima deste ponto, a operação começa a dar prejuízo.
Em um topo ou à medida que o mercado cai, a distância entre os prêmios aumenta, permitindo-se ganhos ao investidor. Todavia, se ambas as opções virarem pó, todo o valor investido será perdido.
A trava de baixa é recomendada para mercado esticado ou em tendência de baixa, assemelhando-se muito à venda coberta. Em um topo ou à medida que o mercado cai, a distância entre os prêmios diminui, permitindo-se ganhos ao investidor. O lucro máximo ocorre se ambas as opções virarem pó. Com a operação, espera-se que o mercado suba pouco, acumule ou caia muito.

Mais uma vez, vamos a um exemplo hipotético para ficar mais claro:

Suponhamos que a VALE5 esteja cotada a R$ 50,00 em determinada data, e montamos a seguinte operação:
Vendemos 1000 opções de strike 50 e compramos idêntica quantidade de opções de strike 52, ambas com vencimento em fevereiro.

Custo da operação
Venda de 1.000 VALEB50= 1000*2,20 = R$ 2.200,00

Compra de 1.000 VALEB52= 1000*1,30 = R$ 1.300,00
Risco máximo da operação
Compreende o spread entre os strikes abatido do prêmio líquido recebido na montagem:
Retorno máximo da operação
Retorno máximo da operação = prêmio líquido recebido na montagem:
Aqui também não precisamos levar a operação para o exercício. A compra de calls VALEB50 e a venda das calls VALEB52 permite zerar a operação.


Importante que perceba que o prêmio líquido recebido ainda não lhe pertence, pois o resultado da operação ainda será apurado após desmontar a operação, o qual consistirá na diferença entre o spread de montagem e desmontagem.

Quanto mais OTM for a Trava de Baixa, menos dinheiro será recebido para a sua montagem, mas, em compensação, maior será a chance de ganhar vez que se consegue lucros com o mercado em queda, acumulação e alta. Já nas Travas de Baixa ITM, o prêmio líquido recebido é maior, mas o risco de ser exercido também aumenta e o mercado precisa cair para proporcionar ganhos. Com as ATM, proporciona ganhos na queda e quando o mercado anda de lado.


Travas


Até o presente momento, detivemo-nos apenas em operações que tratam, isoladamente, de compra ou venda de opções, ou, no caso do lançamento coberto, de venda de opções associada à compra do ativo subjacente. A partir de agora, analisaremos as travas, que consistem na montagem de operações envolvendo, simultaneamente, a compra e a venda opções. No nosso caso, nos ateremos às travas com calls, já que, dentre nós, as puts não gozam de boa liquidez.

As travas são estratégias de delimitação de risco que consistem na compra e venda de opções de strikes diferentes. Por meio delas, pode-se travar a venda em cima, embaixo, em série diferente (antes ou depois) e em um ou vários lugares. O objetivo aqui é buscar ganhar com o decurso do tempo sem que a ação ultrapasse certo limite, e com o conhecimento do ganho e prejuízo máximo no mesmo instante de sua montagem.
Abordaremos, aqui, as Travas de Alta e as Travas de Baixa:

Nas Travas de Alta, também chamadas de financiamento, compramos determinada opção e vendemos a mesma quantidade em um strike superior; já nas Travas de Baixa, também chamadas de reversão, vendemos uma opção e compramos a mesma quantidade em um strike superior.

Passemos, a seguir, a analisá-las detidamente.

Trava de Alta
Consiste na compra de calls associada à venda de calls de strike superior e de idêntica data de vencimento.

Como as calls de maior strike são mais baratas, terminamos tendo que desembolsar dinheiro para sua montagem, consistente no spread (diferença) entre o prêmio pago (maior) e o recebido (menor), que, doravante, chamaremos de prêmio líquido. Assim, é fácil verificar que a call de strike maior termina por financiar parte da compra da call de strike menor: daí a alcunha de "financiamento".

A Trava de Alta guarda certa semelhança com a compra de opções a seco: ambas possuem risco limitado ao valor investido, apostam na alta do mercado e não exigem margem, vez que, neste último aspecto, a opção de strike mais baixo serve de lastro para a de strike maior, acaso ambas sejam exercidas. A Trava de Alta, todavia, apresenta a vantagem de ter custo de montagem mais baixo para um mesmo lucro se o valor do ativo subjacente ficar entre os strikes. Acima do strike maior, a Trava de alta não possibilita lucro adicional.

Na operação, como mencionado, não há necessidade de depósito de margem, vez que a opção de strike mais baixo serve de lastro para a de strike maior, acaso ambas sejam exercidas. Seu risco máximo é limitado ao prêmio líquido desembolsado no momento da montagem da operação, ao passo que o lucro máximo circunscreve-se à diferença entre os strikes abatido do custo de montagem. A diferença entre o strike da call maior e o prêmio líquido pago é o breakeven (ponto de equilíbrio) da operação.


A aposta, como o nome diz, é que o mercado é de alta. À medida que o mercado sobe, a distância entre os prêmios aumenta, permitindo-se ganhos ao investidor. Por outro lado, ao caminhar no sentido inverso, se ambas as opções virarem pó, todo o valor investido será perdido.

Quanto mais ITM for a Trava de Alta, maior será a proteção na queda, mas, em compensação, maior será o seu custo de montagem. Montando a operação ATM ou OTM, o tempo já esta contra nós,mas o baixo custo permite corrermos maiores riscos.
Vamos a um exemplo hipotético para ficar mais claro:

Imaginemos que a PETR4 esteja cotada a R$ 26,00 em determinada data, e montamos a seguinte operação:
Compramos 1000 opções de strike 24 e vendemos idêntica quantidade de opções de strike 26, ambas com vencimento em janeiro.

Custo da operação
Compra de 1.000 PETRA24 = 1000*2,50 = R$ 2.500,00

Venda de 1.000 PETRA26 = 1000*1,00 = R$ 1.000,00
Risco máximo da operação
Compreende o valor de montagem da operação:

Retorno máximo da operação
Compreende o spread entre os strikes abatido do custo de montagem:
Se, no dia do vencimento, o spot fechar acima de R$ 26,00, a Taxa será de 33% (=500/1500), apurados durante o período de duração da operação.
Não é necessário levar a operação para o exercício, vez que é sempre possível desmontar a operação vendendo a call de strike menor e comprando a de strike maior, no nosso exemplo, vendendo a PETRA24 e comprando a PETRA26. A diferença entre o spread de montagem e de desmontagem é que determinará se a operação apresentou lucro ou prejuízo.

Com o financiamento, diminui-se o risco da operação e o custo da montagem. Em contrapartida, abre-se mão de parte do lucro, caso o mercado suba além do esperado. Com a trava montada no dinheiro, ganha-se na alta, com o mercado de lado e com moderada queda. Com as ITM, o custo de montagem reduz-se, mas, em compensação, altas mais fortes são exigidas. Já com as OTM, apesar de o custo ser mais baixo, o prêmio recebido pela venda é pouco para "auxiliar" no financiamento.


Trava de Baixa
Consiste na venda de determinada calls associada à compra de calls de strike superior, sendo, portanto, uma operação travada (coberta) em cima.

Como as calls de strike superior são mais baratas, nesta operação recebemos um prêmio líquido (diferença entre o prêmio recebido na venda e o pago na compra) para montagem. É também chamada de reversão, pois, a operação o protegerá no caso de o mercado experimentar uma reversão de tendência de baixa para alta elevando muito o preço de recompra das ações.

A operação exige depósito de margem no valor do spread entre os strikes. Seu risco máximo consiste na diferença entre os strikes abatido do prêmio líquido recebido na montagem, ao passo que o lucro máximo circunscreve-se ao prêmio líquido recebido.

O strike da call maior acrescido do prêmio líquido recebido é o breakeven da operação. Acima deste ponto, a operação começa a dar prejuízo.
Em um topo ou à medida que o mercado cai, a distância entre os prêmios aumenta, permitindo-se ganhos ao investidor. Todavia, se ambas as opções virarem pó, todo o valor investido será perdido.
A trava de baixa é recomendada para mercado esticado ou em tendência de baixa, assemelhando-se muito à venda coberta. Em um topo ou à medida que o mercado cai, a distância entre os prêmios diminui, permitindo-se ganhos ao investidor. O lucro máximo ocorre se ambas as opções virarem pó. Com a operação, espera-se que o mercado suba pouco, acumule ou caia muito.

Mais uma vez, vamos a um exemplo hipotético para ficar mais claro:

Suponhamos que a VALE5 esteja cotada a R$ 50,00 em determinada data, e montamos a seguinte operação:
Vendemos 1000 opções de strike 50 e compramos idêntica quantidade de opções de strike 52, ambas com vencimento em fevereiro.

Custo da operação
Venda de 1.000 VALEB50= 1000*2,20 = R$ 2.200,00

Compra de 1.000 VALEB52= 1000*1,30 = R$ 1.300,00
Risco máximo da operação
Compreende o spread entre os strikes abatido do prêmio líquido recebido na montagem:
Retorno máximo da operação
Retorno máximo da operação = prêmio líquido recebido na montagem:
Aqui também não precisamos levar a operação para o exercício. A compra de calls VALEB50 e a venda das calls VALEB52 permite zerar a operação.


Importante que perceba que o prêmio líquido recebido ainda não lhe pertence, pois o resultado da operação ainda será apurado após desmontar a operação, o qual consistirá na diferença entre o spread de montagem e desmontagem.

Quanto mais OTM for a Trava de Baixa, menos dinheiro será recebido para a sua montagem, mas, em compensação, maior será a chance de ganhar vez que se consegue lucros com o mercado em queda, acumulação e alta. Já nas Travas de Baixa ITM, o prêmio líquido recebido é maior, mas o risco de ser exercido também aumenta e o mercado precisa cair para proporcionar ganhos. Com as ATM, proporciona ganhos na queda e quando o mercado anda de lado.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lançando Calls - Segunda Parte

Vimos, anteriormente, que o Lançamento Descoberto de Calls possuía risco ilimitado, consubstanciado na venda da ação por um preço predeterminado sem a adoção de qualquer proteção para o caso de o mercado tomar um rumo indesejado. Assim, ocorrendo uma valorização excessiva do ativo subjacente, além das chamadas de recomposição de margem, o investidor, acaso designado para o exercício, corria o risco de se ver compelido a satisfazer uma obrigação muito superior ao valor do prêmio recebido na operação.
Para contornar esta situação de excessivo risco, o investidor tem a sua disposição a possibilidade de optar por adquirir e manter em carteira idêntica quantidade de opções vendidas: uma verdadeira operação "casada", a que se convencionou denominar de Lançamento Coberto.



Diz-se que o lançamento é coberto quando o Lançador deposita, em garantia, idêntica quantidade do ativo subjacente associado às opções lançadas, de forma a protegê-lo de movimentos adversos que o lançamento poderia lhe acarretar. É aqui que reside a diferença para a modalidade descoberta: posse de idêntica quantidade do ativo subjacente em carteira, como forma de limitação de risco.
Com o Lançamento Coberto de Calls, o investidor recebe o prêmio que será o seu lucro máximo na operação. Nesta modalidade, a situação de risco ilimitado decorrente de forte alta é contrabalançada pela existência da mesma quantidade do ativo subjacente na carteira.
Perceba que com este simples artifício, agora, os papéis mantidos em carteira protegerão a operação na mesma proporção da valorização do ativo subjacente. À medida que o valor para a satisfação da obrigação assumida se eleva, a valorização das ações dadas em garantia acompanha o que seria o potencial prejuízo acaso não houvesse tal proteção.
O melhor momento para o lançamento de opções é no dia do vencimento da série anterior, vez que, proporcionalmente à validade, é quando a opção apresenta maior valor extrínseco. Além disso, a operação iniciada antes deste marco temporal implicaria menor retorno financeiro, vez que correriam durante um prazo maior; se executadas depois, deixaria a carteira ociosa durante certo lapso de tempo.
Merece ser ressalvado o fato de que, ao comprarmos ações na mesma data em que lançamos as opções (D+0), a CBLC retém o prêmio que será restituído em (D+3); quando as opções são lançadas antes de as ações estarem em custódia (D+1 ou D+2), a CBLC retém, temporariamente, tanto o prêmio referente ao lançamento como a margem de garantia, considerando a operação como se fosse um Lançamento Descoberto, mas que serão devolvidos tão logo as ações constem em custódia (D+3); quando as ações já se encontram em custódia em data anterior ao lançamento (D+3), nenhum valor é retido pela CBLC.
Digno também de atenção é o custo da corretagem, que pode influenciar substancialmente o resultado de suas operações. Taxas fixas impactam consideravelmente a rentabilidade das operações realizadas com lotes pequenos e taxas em percentual não são aconselhadas para quem movimenta grande soma de capital. Informe-se com sua corretora sobre forma de cobrança das taxas, principalmente, no caso de exercício, em que pode ser cobrado taxa de Mesa de Operações, composta de parte fixa e parte variável.
Como já mencionado acima, no Lançamento Coberto de Calls, o lucro máximo continua sendo limitado ao prêmio recebido. Todavia, o risco máximo é significativamente diminuído pela proteção proporcionada pela detenção do ativo subjacente, remanescendo o risco, ainda, em caso de desvalorização do ativo subjacente.
Com efeito, o risco dessa operação reside na possibilidade de o mercado experimentar uma queda, desvalorizando, por conseguinte, as ações mantidas em carteira. Por isso, o Lançamento Coberto de Calls é mais recomendado para investidores de longo prazo que não desejam se desfazer de sua posição acionária, não fazendo o menor sentido para investidores de curto prazo, pois eles podem ficar short na ação para lucrar com a queda.
O Lançamento Coberto possui a desvantagens da necessidade de mais capital para montagem da operação, vez que, agora, há a exigência de adquirir previamente as ações, cujo custo é muito superior ao das opções. Paga-se também imposto de renda sobre o prêmio recebido independente de seu valor, mas permite-se a compensação com prejuízos no mercado a vista e vice-versa.
Existem duas forma de abordagem do Lançamento Coberto de Calls: a Remuneração de Carteira e a Operação de Taxa. Cada uma delas possui pontos positivos e negativos, que giram em torno do binômio risco X retorno.
A Remuneração de Carteira
A Remuneração de Carteira é uma estratégia destinada ao investidor que pretende acumular suas ações no longo prazo, sem que pretenda se desfazer delas por um único instante, mas que deve estar preparado para o caso de eventual exercício. Vale aqui um alerta: se não suporta a ideia de ter que se desfazer de sua carteira, não faça lançamento coberto.
Variadas razões podem levar o investidor a adoção desta estratégia, que vai desde a simples falta de tempo para acompanhamento do mercado até o acúmulo de prejuízo que o impede de se desfazer de suas posições acionárias, passando pela percepção de que simples oscilações momentâneas no preço das ações não comprometem os investimentos de longo prazo.
A montagem desta operação consiste na combinação de compra de um ativo com a subsequente venda de opções OTM, ou mesmo ATM, recebendo, em contrapartida, o valor do prêmio.
Seu lucro máximo é limitado ao valor do prêmio, que, recebido sistematicamente mês a mês, poderá ser utilizado para comprar mais ações que serão novamente lançadas, proporcionando um consistente círculo virtuoso de ganhos. Daí a razão desta operação receber o nome de Remuneração de Carteira: busca-se aqui aumentar a posição acionária ao invés de ser remunerado por uma taxa superior à renda fixa.
Na Venda Coberta, deve-se sempre estar preparado para a possibilidade de desmontar ou rolar a operação, razão pela qual é aconselhável que o prêmio recebido permaneça em caixa. Com efeito, levar a operação para o exercício sempre implica custos adicionais de corretagem e a incidência de imposto de renda no prêmio e, às vezes, na carteira.
Normalmente, as opções que valem a pena lançar são a ATM, a primeira e a segunda OTM. Mas, por qual delas optar?
Sabemos que a opção ATM garante um prêmio maior, mas, em contrapartida, o risco de ser exercido é também elevado; a segunda OTM, por seu turno, oferece prêmio menor, mas, em compensação, apresenta menor risco de exercício; já a primeira OTM fica numa posição intermediária.
A estratégia de Remuneração de Carteira é adequada para um mercado, estável ou de moderada alta até o vencimento, devendo seu viés orientar qual das opções lançar: se estável, a ATM; se de leve alta, a primeira OTM; se de alta pouco mais elevada, a segunda OTM.
Para mercados em baixa, a estratégia não se presta, pois resultaria em prejuízo na operação. Nesse caso, melhor seria pensar em lançar opções ITM.
Por aqui, já dá para perceber que só saberemos no dia do vencimento, qual será, ou melhor, seria a opção mais rentável a lançar.

Vamos a exemplo para aclarar as ideias:
PETR4 a R$ 26,00
PETRB28 VE de R$ 1,00
PETRB30 VE de R$ 0,50
Se no dia do vencimento a cotação da PETR4 estiver a R$ 27,50, melhor teria sido lançar a PETRB28; se a cotação estiver a R$ 28,50, o melhor lançamento, sem dúvida, teria sido a PETRA30.
Todavia, de um vasto universo de possibilidades, podemos restringir a nossa escolha a um simples par de opções. Se pretendemos lançar calls, nosso objetivo é perseguir opções com grande VE e afastadas do preço da ação. Os maiores VE ocorrem nas opções ATM, mas o risco de exercício é maior. As ITM, por sua vez, não satisfazem ao critério de afastamento do preço da ação. Já as muito OTM são bem afastadas do preço da ação, mas, em compensação, possuem VE muito baixo.
Pronto! Restaram a primeira e a segunda opções OTM para lançar. Uma boa escolha passaria por uma destas duas opções, com o perdão do trocadilho. Na primeira, o prêmio é maior, mas a possibilidade de exercício também o é; na segunda, o prêmio é menor, mas, em caso de alta um pouco mais forte, fica afastada a possibilidade de exercício.
Mas, se o mercado nos pregar uma peça, não esmoreça nem lamente, pois, somente uma boa dose de futurologia nos permitiria tê-la evitado. Ao invés, prepare-se para um novo lançamento...
A Operação de Taxa
Enquanto na estratégia de Remuneração de Carteira o Investidor tem a intenção de não ser exercido, razão pela qual lança, preferencialmente, opções OTM, na Operação de Taxa, o objetivo é justamente o contrário, isto é, persegue-se, invariavelmente, o exercício.
Como o objetivo desta estratégia é ser exercido, vemos que apenas se adéqua ao investidor com perfil de curto prazo. Aqui, o que se busca é a obtenção de retorno superior à renda fixa.
A montagem da estratégia de Operação de Taxa é semelhante à de Remuneração de Carteira, onde, contudo, opta-se pelo lançamento de opções ITM, que, além de possibilitar o ganho de capital, também proporcionará proteção adicional à carteira de ações. Assim, quanto mais ITM for a opção, menor o prêmio recebido, mas, em compensação, maior será a proteção dada em caso de queda acentuada.
A Operação de Taxa possui menos risco, mas, em contrapartida, apresenta menor retorno, vez que não permite ganhos extras caso a cotação do ativo subjacente suba. Com efeito, nestas operações, quem proporciona o ganho de capital é o Valor Extrínseco (VE) da opção lançada e a proteção é dada pelo montante do prêmio obtido com o lançamento. A parcela do prêmio recebida representada pelo VI é inóqua nesta operação, já que será devolvida no exercício.
A estratégia de Operação de Taxa é adequada para um mercado estável, de moderada ou de brusca queda até o vencimento. Como o objetivo aqui é ser exercido, o mercado em baixa permitirá a recompra das ações por preços menores e, consequentemente, em maior quantidade, o que possibilitará lançar maior quantidade de opções e aumentar os ganhos.
Num mercado de alta, a despeito de ser mais garantido o exercício, a recompra das ações por preço superior tenderia a diminuir a quantidade de ações em carteira ao longo dos meses, o que não impediria que se auferisse bons rendimentos, em detrimento, contudo, de ganhos extras em razão da valorização do ativo subjacente ou de proteção adicional à carteira.

Vamos ao nosso exemplo:
Compra de 1000 PETR4 a R$27,00 cada, totalizando R$ 27.000,00
Venda de 1000 PETRB26 a R$2,20, totalizando R$ 2.200,00
Se a ação, no dia do vencimento, fechar acima de R$26,00 (abaixo, não haverá exercício), teremos:
Exercido, entregarei as ações por R$ 26,00 cada, totalizando R$26.000,00, saindo com um lucro de R$1.200,00 (26.000 - 27.000 + 2.200), representando um retorno de 4,44% (1.200/27.000).
E se a ação estivesse cotada a R$ 25,00 no dia do vencimento?
Certamente não seria exercido, pois a PETRB26 viraria pó.
As minhas ações teriam desvalorizado R$ 2.000,00 (27.000 – 25.000). Como recebi R$ 2.200,00 no lançamento, ainda estaria no lucro de R$ 200,00 (2.200 – 2.000).
Nesta operação, vemos que as ações poderiam cair até R$ 24.800,00 (27.000 – 2.200) sem que resultasse em prejuízo, proporcionando uma proteção de 8,15% (2.200/27.000).
Para facilitar os cálculos, a rentabilidade da operação é dada pela razão entre o Valor extrínseco e o preço da carteira, ao passo que a proteção é dada pela divisão entre o prêmio com esta última.

Tanto a Remuneração de Carteira quanto a Operação de Taxa podem ser administradas ativa ou passivamente. No primeiro caso, deixaremos que vá até o vencimento sem qualquer interferência, isto é, se a opção virar pó ou ocorrer o exercício, nenhuma providência é requerida do Lançador, que poderá vender as ações ou lançar novas opções. No segundo, podemos definir stops ou promover o prolongamento da operação através da rolagem da opção, que nada mais é do que a recompra da opção com o lançamento de idêntica quantidade em uma série do próximo vencimento, o que, como mencionado acima, otimiza o custo de corretagem e, eventualmente, de impostos.

Na próxima oportunidade, iniciaremos o estudo das Travas.
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